Inactivism

February 23, 2007

De mudança

Filed under: Meta

Pessoal, apontem os seus links para o meu novo endereço: mundusminor.com. O feed do blog para quem não quiser conhecê-lo pessoalmente é mundusminor.com/?feed=rss2.

A partir de hoje, as coisas seguem por lá. Estou com um template pronto, mas é provável que eu mude bastante ainda a cara do novo blog. Quero deixá-lo visualmente mais discreto, como é o Inactivism.

Para quem se interessar, o blog está hospedado no A Small Orange. É absolutamente fácil instalar o Wordpress, até para um analfabeto como eu.

Agradeço ao Solon que me ensinou o beabá (às quatro da manhã) de como carregar templates novos para o blog.

Postei todo o Inactivism “na mão” lá no Mundus Minor, pois o Blogs.ie não permite exportar os posts. Então, é provável que eu tenha esquecido alguns detalhes nos textos (itálicos e links principalmente). Os comentários não aparecem por lá, mas o brilhantismo de vocês ficará para todo o sempre aqui no Inactivism.

February 16, 2007

Por uma vida mais feliz

Filed under: Pessoal


Amanhã encomendo a matrícula. Sou um universitário novamente.

February 13, 2007

Inactivism is the ticket

E foi então que encontrei esse longo artigo sobre Philip Rieff, o pensador que sugeriu o nome deste blog.

When asked in a recent interview what people of good will can do, he replied, with typical terseness: “They can become inactivists. They’ll do less damage that way. Inactivism is the ticket.”


technorati tags:

February 7, 2007

Vai pra escola, minha filha, vai trepar

Filed under: Comportamento

O governo federal pretende distribuir camisinhas nas escolas para adolescentes a partir dos 13 anos. Para quem quer diminuir os índices de gravidez precoce e de doenças sexualmente transmissíves entre os jovens, isso me parece um tiro no pé. Pelo menos até que o Hermenauta me venha com uma estatística provando o contrário…

Sempre achei que a instrução sexual para crianças e adolescentes resultam em conseqüências inversas àquelas pretendidas. Já estamos suficientemente fartos de “falar sobre sexo”, “discutir a sexualidade sem mitos”, “com mais naturalidade” etc e tal. E muito desse bombardeio tem partido de iniciativas apararentemente bem intencionadas.

A mim - e eu não tenho como verificar essa hipótese - parece que a sexualidade das crianças e adolescentes é estimulada cada vez mais cedo também por essas políticas educacionais. Ora, se a sexualidade aflora mais cedo e se se torna mais intensa com precocidade, também é plausível que o índice de gravidez e de doenças entre jovens cresça. A educação sexual é mais uma parte desse impulso - sei que vocês vão rir da minha gravidade, mas falo a sério - é mais uma parte desse impulso que as crianças e adolescentes recebem dos meios de comunicação, da MTV e suas iniciativias de conscientização com a Tati Quebra Barraco (leiam a letra), das cenas de sexo na novela das oito, e por aí vai.

Mas, ao contrário da erotização da televisão, cujo excesso é condenado em consenso, a educação sexual é aceitada mais ou menos sem reservas. Acho estranho que os meios de comunicação sejam reprovados pelo mesmo ponto de vista que aprova o fornecimento de camisinhas em escolas para uma criança de 13 anos e o ensino “divertido” de como utilizá-las.

Colocar o preservativo pode ser uma excelente brincadeira a dois. Sexo não é só penetração. Seduza, beije, cheire, experimente!

Essa simplificação do sexo infantil - como se praticá-lo aos 13 anos fosse tão natural para a idade quanto andar de balanço - é isso que me preocupa. Eu lamento que uma prática que envolve riscos se torne livre de todo o tipo de censura.

* * *

O bundinha do Reinaldo Azevedo publicou um post sobre o mesmo asunto.

* * *

Atualização: E, naturalmente, o Hermenauta já desceu o cacete.


technorati tags:, ,


Blogged with Flock

February 2, 2007

Ta na hora da globocolocar programas que insentive a cultura e não pornografias

Filed under: Cultura, Televisão

Uma das conseqüências mais perniciosas do Big Brother é tornar as pessoas inteligentes demais. Reparem como todos passam a tomar a “cultura” como razão de sua cruzada quando o programa passa na televisão, tentando nos converter a ela, como se disso dependesse a nossa salvação.

Eu, que quando ouço falar em cultura destravo o meu revólver, me sinto um pouco agredido com tudo isso. Eu cultivo minha ignorância com carinho - e não quero ser salvo. Quando passa o Big Brother na televisão, fico me sentindo parte de uma minoria marginalizada, daqueles que querem permanecer às escuras.

Desculpe minha decepção, mais quando a globo vai colocar um programaque preste no lugar do BBB e impossível ver aqueles babacas querendoaparecer para serem contratados por revistas.Ta na hora da globocolocar programas que insentive a cultura e não pornografias.


Mas, falando a sério, o brasileiro não resiste a um protestinho, mesmo que o seu português não dê nem para a pré-escola. O brasileiro é um povo estranho: gosta de pregar as coisas mais edificantes ao mesmo tempo em que, na intimidade, não abre o jornal nem quando termina o papel no banheiro.

Eu tento imaginar, generoso que sou, que as pessoas realmente desligam a TV ou trocam de canal no horário do programa, mas essa concessão não me convence. Que passem, então, do divertimento fácil para um livro, me parece idéia extravagante demais. Eu não consigo notar um lampejo de instrução em quem quer que se manifeste contra a má qualidade do programa. Não adianta: eu forço, mas não consigo.

O protesto está enraizado na nossa personalidade. Talvez por má consciência. pensamos que assumir um papel público de defensor da cultura possa nos redimir do nosso pecado de omissão, pois, no fundo sabemos, livro é coisa que nunca nos interessou. Bradar aos quatro cantos que a televisão deveria nos oferecer “coisa melhor” talvez baste para abater uma pequena parte da nossa dívida, mas não se enganem: para o bom observador, esse grito nos trai. Nós não passamos de ignorantes.

technorati tags:

February 1, 2007

Para não dizer que não falei de flores

Filed under: Literatura, Mulheres

Quer dizer: eu sempre escolhi minhas companhias pela beleza. Não me importa, contudo, que saibam ler. E isso é até melhor. Não gosto de alardear as minhas qualidades, mas as dela sim: ela é uma literata. A minha mulher escolhe bem seus livros. E, acima de tudo, ela despreza as minhas pretensões de literatura: ela sabe mais que eu.

Sentir-se inferiorizado por uma mulher mais culta que nós, homens, é um deleite para o masoquista intelectual. Fantasia: ela, nua, pisando no meu rosto e recitando essa poesia do risco, esporte radical dos namorados, “a fidelidade é, para a vida emocional, o que a coerência é para a vida do intelecto - simplesmente uma confissão de fracassos”.

Pois ela , vejam, não lê qualquer coisa.

January 25, 2007

Eu sou um enfant terrible do jornalismo cultural

Filed under: Cultura, Jornalismo, Pessoal

Enquanto estou sem computador para postar regularmente de casa, deixo-os com um comentário edificante que acabo de moderar. Não sei se o sujeito é quem diz ser, mas não é a primeira vez que temos notícia de um chilique de Ricardo Soares, como se pode ver aqui.

Eis o comentário com que ele me presenteia, neste 25 de janeiro em que faço 23 anos:

Eu nem ia me dar ao trabalho, mas não resisti…um fascistinha presunçoso de merda como vc não dá pra deixar sem resposta. Vc não tem qualquer humildade, modestia ou lastro pra criticar quem quer que seja…é um sub produto do que se imagina ser um enfant terrible do jornalismo cultural. Destrutivo e oco. Pior que nem espaço como os bundinhas Daniel Piza e Reinaldo Azevedo vc tem…fica confinado nesse blog de merda enquanto os que vc critica brilham pelo mundo… a inveja é uma merda e vc é arrogante demais pra tão pouco texto…aprenda primeiro infeliz

“Fascistinha” e “sub produto” no mesmo parágrafo? Já está habilitado para escrever na Rolling Stone. Tem tudo para brilhar, Ricardo Soares. Mas não abuse tanto dessas expressões de manual. “Enfant terrible”? Faltou criatividade.

E, por último, o talento de Ricardo Soares em sua plenitude.

December 14, 2006

Rizoma o c&%($#@

Minha mãe é professora. Ela participou de um fórum de educação aqui em Porto Alegre. Deu-me para ler o manual do evento, com as reuniões, palestras etc e tal. Vinha com um sorriso no rosto: “eles falam de um filósofo aí, dá uma lida”. Minha mãe, como todas as mães, tem intenções benévolas, sei que não me quer mal. Mas aí eu abro o folheto… Sinto que não passo dessa semana.

Gilles Deleuze e Félix Guattari são pensadores que começam a ganhar importância nos estudos educacionais no Brasil. Eles acompanham um movimento de abolição das categorias com a inovação de conceitos que atravessam as teorias e as práticas educacionais. A presença de importantes pensadores da atualidade com discussões relevantes para a problematização das concepções educacionais, propõe disparar movimentos de desterritorialização da educação, compondo-a com outros planos e pensando-a com outros aportes. A discussão das possibilidades de desestratificação desta máquina abstrata, de modo a sair dos organismos, das significações e das subjetivações que a estriam, investe na produção de uma paisagem. Diferentes diálogos com esses autores e outros como Michel Foucault, Jacques Derrida e Jacques Rancière apresentam uma potência que atravessa as práticas cotidianas e a vida, sendo promissores nas suas possíveis transversalizações com o pensamento educacional.

É difícil pedagogas alegrezinhas não ferirem o nosso senso estético.

Não estou inventando. Clique aqui. Há ainda um outro texto. Inacreditável. Abra o pdf por sua conta e risco.

December 13, 2006

Imposturas intelectuais

Não li Deleuze. Não digo que não o farei, mas me falta vontade. A apropriação de sua obra é uma coisa abominável, e termino por atribuir ao autor o que reprovo em sua crítica.

Leitores de Deleuze parecem estar contaminados por um esteticismo que julgo nocivo. Parecem todos querer fazer um tipo de poesia abstrata quando escrevem sobre o filósofo. E, se a poesia já é arriscada para os poetas…

Reprovo porque me parece que o artifício não exige muito dos ensaístas (não se pode verificar a hipótese empiricamente, mas vai ver que é por isso que se escreve tanto sobre o pensador francês). Quando não estou sendo cínico e levo as coisas a sério, tendo a desprezar aquilo que me parece fácil. E o que li me induz a concluir que não é necessário ser muito inteligente para pensar a obra de Deleuze: basta levar ao extremo o pendor adolescente pelas palavras abstratas e agrupar um punhado de termos equívocos, cujo sentido não está fixado. Com um público mais suscetível às idéias aéreas da filosofia continental, passa-se por douto facilmente.

Tudo isso me martela a cabeça desde que a Cult estampou na capa o pensador, em novembro. A revista convidou alguns acadêmicos brasileiros para escrever sobre Deleuze, e o resultado, como se pressente, é um catálogo de floreios bisonhos. É penoso e constrangedor descobrir que os estudiosos do filósofo parecem achar que a literatura é para qualquer um, que basta se apropriar da tendência à abstração da filosofia para escrever algo belo. E não é assim que as coisas funcionam. Na pena de gente deslumbrada, o resultado é em geral deplorável. O leitor discorda? (more…)

December 12, 2006

O misterioso roubo da margarina

Filed under: Bobagem

Estou ainda um pouco perplexo com o caso da doméstica que tentou roubar um pote de margarina e ficou presa em regime semi-aberto durante 128 dias. A pena tinha sido inicialmente fixada em quatro anos.

Acho meritório que alguns homens tenham socorrido a jovem, afinal era desempregada e mãe de uma criança de dois anos. Argumentaram que o castigo era desproporcional à falta, com o que concordo sem reserva. Foi libertada.

Angélica Aparecida Teodoro, de 19 anos, atribuiu o ato ao desespero: não suportava ver o filho passando fome. E quanto a isso também não tenho nenhuma objeção a fazer. Ora, é plausível que uma pessoa de boa índole sinta-se tentada a roubar em uma situação limítrofe. O seu crime poderia ser caracterizado como furto famélico. Acho um pouco injusto que alguém seja punido com prisão num caso desses.

Mas permitam-se abstrair a questão da pena, do exagero da justiça, do desespero de uma mãe, etc, etc, e se perguntem: vocês socorreriam um faminto com um pote de manteiga? Vocês comeriam manteiga em uma situação de fome absoluta?

Que a desempregada tenha roubado para alimentar o filho, consigo entender. Mas o que não entendo é por que, diabos!, ela roubou manteiga. Está certo que é mais fácil esconder dentro do boné um pote de manteiga que um pacote de biscoitos. Mas por que não correr o risco de roubar pão, se se tratava de fome? Por que a mulher roubou manteiga, pelo amor de Deus?!






















Get free blog up and running in minutes with Blogs.ie
Theme designed by Ben de Groot