Uma das conseqüências mais perniciosas do Big Brother é tornar as pessoas inteligentes demais. Reparem como todos passam a tomar a “cultura” como razão de sua cruzada quando o programa passa na televisão, tentando nos converter a ela, como se disso dependesse a nossa salvação.
Eu, que quando ouço falar em cultura destravo o meu revólver, me sinto um pouco agredido com tudo isso. Eu cultivo minha ignorância com carinho - e não quero ser salvo. Quando passa o Big Brother na televisão, fico me sentindo parte de uma minoria marginalizada, daqueles que querem permanecer às escuras.
Desculpe minha decepção, mais quando a globo vai colocar um programaque preste no lugar do BBB e impossível ver aqueles babacas querendoaparecer para serem contratados por revistas.Ta na hora da globocolocar programas que insentive a cultura e não pornografias.
Mas, falando a sério, o brasileiro não resiste a um protestinho, mesmo que o seu português não dê nem para a pré-escola. O brasileiro é um povo estranho: gosta de pregar as coisas mais edificantes ao mesmo tempo em que, na intimidade, não abre o jornal nem quando termina o papel no banheiro.
Eu tento imaginar, generoso que sou, que as pessoas realmente desligam a TV ou trocam de canal no horário do programa, mas essa concessão não me convence. Que passem, então, do divertimento fácil para um livro, me parece idéia extravagante demais. Eu não consigo notar um lampejo de instrução em quem quer que se manifeste contra a má qualidade do programa. Não adianta: eu forço, mas não consigo.
O protesto está enraizado na nossa personalidade. Talvez por má consciência. pensamos que assumir um papel público de defensor da cultura possa nos redimir do nosso pecado de omissão, pois, no fundo sabemos, livro é coisa que nunca nos interessou. Bradar aos quatro cantos que a televisão deveria nos oferecer “coisa melhor” talvez baste para abater uma pequena parte da nossa dívida, mas não se enganem: para o bom observador, esse grito nos trai. Nós não passamos de ignorantes.
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